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Nossa arma é a nossa raiz

A maior honraria da Alerj,a Medalha Tiradentes, foi entregue ao Fórum de Comunidades Tradicionais de Paraty, Angra e Ubatuba por toda sua luta ao longo de dez anos pelo mandato do deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) e membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante a cerimônia realizada no dia 9/3, na Casa de Cultura de Paraty, no Centro Histórico da cidade, cerca de 200 quilombolas, indígenas, caiçaras e ativistas compartilharam histórias, saberes e cultura. Entre as atividades da noite estavam rodas de jongo e capoeira, coral indígena e lanche típico quilombola.

Num painel montado pelo Fórum eles contaram um pouco de sua história de lutas e conquistas. Fundado em 2006, o movimento teve a primeira reunião na Praia do Sono no ano seguinte. Lá, os caiçaras sofrem ataques diversos. Casas de veraneio de um condomínio de luxo impõe diversos desrespeitos à população originária da região. Em 2008, realizaram o 1º encontro de Populações Tradicionais e Áreas Protegidas, além de reuniões em lugares como Praia Grande da Cajaíba, Aldeia Rio Pequeno, Quilombo de Bracuí, Aldeia Paraty Mirim e Quilombo do Campinho. Em 2009, caiçaras, quilombolas e indígenas organizaram um ato na FLIP para chamar a atenção sobre as opressões sofridas na região. Neste mesmo ano, as reuniões se expandiram para Pouso da Cajaíba, Ubatumirim e Quilombo do Campinho e teve início ao Projeto Turismo Base Comunitário, do Ministério do Turismo. Em 2012, depois de muita mobilização, foi promulgada a Política Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Paraty. Os anos de 2013 e 2014 foram de muita mobilização e conquistas como a parceria com IPEMA (Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica) para o Projeto Juçara, o Planejamento Estratégico do FCT, 1º Encontro de Justiça Socioambiental da Bocaina, além da inserção dos jovens no VERSUS e convênio com a Fiocruz e Funasa – OTSS. Foi dada a largada ainda à campanha Preservar é Resistir. Em 2015, o deputado Flavio Serafini (PSOL) ajudou a escrever coletivamente um capítulo dessa história com a PEC Estadual dos Povos Tradicionais. Nos anos seguintes, 2016 e 2017, outras conquistas tiveram o retorno de intensa articulação como o Processo de Titulação do Quilombo Fazenda, a Rede Nhadereko (rede de Turismo de Base Comunitária do Fórum de Comunidades Tradicionais) e o 2º Encontro de Justiça Sociambiental da Bocaina Direitos Indígenas.

“A entrega dessa medalha nunca fez tanto sentido. As lutas do Fórum e de seus integrantes merecem todas as honrarias do poder público”, avaliou Flavio Serafini. A homenagem foi entregue à Dona Dica, do Praia Grande da Cajaíba. “Eu nem mereço essa medalha. Quem merece são estes todos lutadores e lutadoras que caminham juntos contra essas injustiças”, discursou a caiçara emocionada.

O FCT tem como suas bandeiras principais bandeiras a luta pela educação diferenciada, o turismo de base comunitária, a agroecologia, o saneamento ecológico, a cultura e a defesa do território tradicional, como práticas tradicionais e sociais para o desenvolvimento sustentável do território.