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LIBERTE NOSSO SAGRADO

A audiência pública da Alerj que tratou a Situação do Acervo Sagrado Afro-Brasileiro no Museu da Policia Civil confiscado no início do século 20 realizada nesta terça-feira (19/9) teve dois encaminhamentos importantes: um grupo de trabalho, – com participação de lideranças religiosas, da própria polícia, do Ministério Público Federal (MPF), parlamentares e de outros órgãos públicos -, que, em até quinze dias, de posse de documentos sobre as condições do acervo fará sua primeira reunião para definir o tipo de tratamento dado a peças e seu novo destino; e a solicitação de mudança imediata do nome da coleção. Hoje ela é batizada como “Magia Negra”, reforçando ainda o racismo religioso praticado na época em que era vigente o Código Penal que criminalizava a capoeira, o samba e as religiões de matriz africanas.

Cerca de 200 peças compõem uma coleção tombada pelo IPHAN e que hoje encontram-se condicionadas em caixas de papelão em uma das salas do Museu da Polícia Civil, que está em reforma.

Segundo o deputado estadual Flavio Serafini, que convocou a audiência, o grupo de trabalho continuará a discussão sobre a reparação de um erro histórico e, caso não se chegue a uma conclusão, o MPF voltará a ser acionado para dar andamento à ação judicial. “Precisamos tirar essas peças do Museu da Polícia e começar a reparação histórica com o povo de terreiro. Enquanto não fizermos isso, vamos continuar a lidar com casos de violência institucional e racismo e intolerância religiosa que estamos vendo agora”, explicou.

Entre os convidados na audiência estavam deputados estaduais, Yalorixá Meninazinha de Oxum; Secretário de Cultura, André Lazzaroni; Diretor Museu da Polícia Civil, Cyro Advíncula; Mãe Flávia; Babalorixá Ivanir dos Santos;
Diretora Museu Nacional, Cláudia Rodrigues; Babalorixá Adailton Moreira; Tatá Songnele; representante do MPF, da Superintendência de Museus, da Chefia de Polícia Civil e Defensoria; Luizinha de Nanã; entre outros.

Esta audiência fez parte de um conjunto de iniciativas tocadas pela campanha Liberte Nosso Sagrado composta por representantes de religiões de matriz africana e do movimento de negros e negras, o parlamentar Flavio Serafini, pesquisadores, cineastas e comunicadores. A campanha também, em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos, realizou duas diligências no Museu e está produzindo um documentário sobre a temática