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Audiência pública discute destino de acervo de Candomblé e Umbanda no Museu da Polícia Civil

Peças sagradas apreendidas desde o Primeira República não estão conservadas adequadamente e representantes de religiões de matriz africana cobram  reparação histórica

Nesta próxima terça-feira (dia 19/9) será realizada a audiência pública SITUAÇÃO DO ACERVO SAGRADO AFRO-BRASILEIRO NO MUSEU DA POLÍCIA CIVIL no auditório da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

 

A audiência está sendo liderada pelo deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ) e organizada em parceria entre a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, a Comissão de Cultura e a Comissão de Combate às Discriminações. Entre os convidados estão representantes da Umbanda e Candomblé, do IPHAN/RJ, INEPAC, Diretora do Museu Nacional UFRJ, Polícia Civil, Defensoria Pública do Estado, Direção do Museu da Polícia,  Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, pesquisadores, entre outros.

 

Esta audiência foi precedida de uma diligência realizada pelos deputados Flavio Serafini e Marcelo Freixo, representando a Comissão de Direitos Humanos da Alerj, representantes do IPHAN, do Museu Nacional, do ISER, museólogos, antropólogos e inspetores da polícia civil. Na ocasião, uma técnica do IPHAN manuseiou três peças das 200 que formam o acervo. Elas encontravam-se acondicionadas em caixas de papelão e embaladas em papel manteiga. Todas tinham sinais de deteriorização do tempo e de mau conservação.

 

Saiba mais:
Durante os períodos da Primeira República (1889-1930) e do Estado Novo (1930-1945), o Código Penal Brasileiro vigente criminalizava a prática de religiões de matriz africana, motivando a realização de batidas policiais em templos religiosos, prisões e apreensões de artigos sagrados. Estes artigos estão até hoje armazenados no Museu da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em reserva técnica. Foram tombados pelo IPHAN em 1938 e denominados de “Coleção Magia Negra”. Como forma de promover o devido processo de reparação histórica, lideranças religiosas, segmentos do movimento negros e pesquisadores, pleiteiam a transferência do acervo para outro museu e o adequado acesso. Por isso criaram a campanha #LiberteNossoSagrado, e esta audiência pública é uma demanda deste movimento.