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Educação no campo é direito

O campo é responsável por alimentar todo o estado do Rio de Janeiro com alimentos saudáveis à mesa. De retorno, faltam políticas públicas de qualidade e que reconheçam suas especificidades. Uma das áreas mais impactadas por ser central na permanência de crianças e jovens nestas localidades é a educação. De 2010 até agora foram fechadas cerca de 300 escolas do campo e muitas outras estão em estado de calamidade. Estas e outras questões foram apresentadas nesta quarta-feira (31/5) na audiência pública com esta temática na Comissão de Educação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Uma das principais reclamações repetidas foi a falta de políticas públicas integradas. A presidente da Emater Stella Romanos informou que a instituição tem dados completo sobre o campo; programa de incentivo de fornecimento de merenda escolar por meio dos agricultores familiares. “Existem vários problemas que impactam a população do campo: estrada para escoar a produção e o direito de ir e vir, a falta de comunicação por conta do precário serviço de telefonia e, sem dúvidas, a falta de escolas. Se não tiver escola, a população não fica no campo. E essas programas têm que andar articulados”.

O professor Leonardo Voigt reforçou que temos uma dívida histórica com os trabalhadores rurais. “Educação do campo é uma visão política. Precisamos intensificar e articular nossas lutas, reconhecer a evasão ideológica com o agronegócio e criação e aplicação de políticas públicas efetivas”, elencou. A professora Claudia Fortes, por sua vez, contou a realidade da escola que trabalha. “Há dez anos dormimos em cima de mesa ou de colchonete. Não temos alojamento. Os professores doutores ganham gratificação de R$240. Cerca de 20 professores da escola têm mestrado, mas não tem estímulo algum”.

O deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) lembrou que a escola do campo não pode ser tratada com os mesmos parâmetros de unidades da cidade. Porque nela há uma vida cultural e a necessidade de uma autonomia pedagógica. “A realidade do estado do Rio de Janeiro é que ele está cada vez mais urbanizado e as desigualdades estão se acirrando. A valorização da população no campo com políticas públicas sérias é estratégico. E é necessário que valorizemos os aspectos culturais e sociais dessa população”, avaliou.