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Direito à água na agenda da América Latina

Em meio à privatização da água no Rio de Janeiro, a polêmica transposição do Rio São Francisco e uma crise mundial deste recurso, o deputado estadual Flavio Serafini teve uma agenda pautada com esta temática nesta segunda-feira (20/3).

Na parte da tarde, participou de uma articulação promovida pelo Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), na sede da comunidade de Serra Queimada, em Cachoeiras de Macacu, região serrana do estado. A principal pauta do encontro foi o enfrentamento à construção da Barragem do Guapiaçu e da privatização da Cedae. Fizeram parte da mesa, os deputados estaduais Flavio Serafini, Dr. Julianelli, representantes dos mandatos dos mandatos de Glauber Braga, Deputada Zeidan, e da Prefeitura de Cachoeiras, além de Ary Girota, da Cedae, Oscar Oliveira, liderança popular da GuIMG_8899erra da Água na Bolívia, presidentes do PSOL de Cachoeiras de Macucu e de Nova Friburgo e moradores da região.

“Estamos diante da vitória de grandes inimigos, mas sabemos a importância e a força do poder popular. O que está em disputa é um bem comum. E esta pauta está em diversas partes do mundo. A realidade do Rio não é isolada. E também temos vitórias reais feitas por gente comum. Temos que perder o medo. São as gentes comuns que têm o poder de mudar as coisas. Quem vai desfrutar dos bens comuns: o povo ou os empresários? Somos nós quem vamos decidir o rumo dessa história”, refletiu Oscar.

Para o sindicalista e trabalhador da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) o cenário está imprevisível por conta da privatização da empresa de gestão de águas. “Tudo pode acontecer. Precisamos cobrar vereadores e o prefeito que foram eleitos por vocês. Além disso, é de suma importância dialogar que a barragem pode acontecer”, informou e completou: “Quem controla água, controla a vida”. Ary informou ainda sobre a falsa informação que tem se espalhado de que os moradores da região são contra a barragem porque não querem compartilhar a água com outros municípios. “Isso é uma chantagem para colocar uma população contra a outra, mas, na verdade, o que está por trás disso são interesses de grandes grupos econômicos”.

Flavio Serafini, que integrou a Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI), relembrou a criação do imaginário social em relação ao uso individual da água e para justificar ações emergenciais sem parecer técnico e consulta e diálogo à população atingida. “Quando entrei na CPI era uma questão emergencial construir a barragem para evitar a seca de algumas regiões. O cenário era de extremo alarme. Tentamos agir com cautela. A barragem não foi construída e não faltou água”, recordou Serafini, que completou:  “Antes de construir uma barragem, há uma gama de trabalhos que devem ser executados como a recuperação das margens dos rios e de nascentes, por exemplo”.

O deputado relembrou ainda a briga contra a privatização da Cedae travada dentro da Alerj. O parlamentar anunciou a proposição de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) para anulação do projeto de lei que privatiza a empresa. “O projeto de lei foi sem vergonha assim como esse governo. A Alerj entregou uma carta em branco ao governo”. completou.

No evento, o representante da prefeitura e os secretários de agricultura e meio ambiente de Cachoeiras de Macacu se comprometeram com o fortalecimento da luta do MAB.

 

 

Água: direito de todos ou mercadoria?

No início da noite, o mandato organizou junto aos parlamentares RenatoIMG_8947 Cinco e Talíria Petrone e o professor da UFF Carlos Valter o evento “Água: direito de todos ou mercadoria?” também com a presença do líder popular boliviano. A atividade terminou com o lançamento do livro “Crise hídrica em debate”, realizado pelo mandato do vereador Renato Cinco.  A publicação contém artigos de especialistas de diferentes países como o sociólogo Michael Lowy; a ex-presidente da empresa de águas de Paris Anne Le Trat; o doutor em ciências atmosféricas Alexandre Araújo; o pesquisador da Instituição Corporate Europe Observatory Martin Pigeon; o funcionário da Cedae Ary Girota; e o ativista boliviano Oscar Oliveira.