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Seminário “Contra-reforma do ensino médio e os caminhos da resistência” discute os caminhos da educação

“As escolas hoje não estão mais debatendo pedagogia e conteúdos. Estão preocupadas em atingir as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)”, Thiago Coqueiro, professor da rede municipal de Niterói e quilombola.  Essa é uma das análises discutidas no seminário “Contra-reforma do ensino médio e os caminhos da resistência” promovido pelo mandato do deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ). Na mesa “Contra-reforma do ensino médio”  Gaudêncio Frigotto (professor da UERJ e da EPSJV/Fiocruz) e Thiago Coqueiro, professor da rede municipal, debateram a temática. Gaudêncio contextualizou de maneira mais ampla o cenário do ensino médio com base nos últimos ataques do governo federal: a Proposta de Emenda Legislativa (PEC) 55 e a Medida Provisória nº 746, conhecida como Reforma do Ensino Médio.

Gaudêncio fez questão de explicar como movimentos como “Todos pela Educação” e “Fundação Ayrton Senna” também vêm dominando o conteúdo pedagógico e o quanto lucram com isso. “A Globo fez parceria com o Ministério da Educação para implantar o Telecurso 2000 para acelerar a formação de jovens, porque eles são vistos só como força de trabalho”, refletiu e emendou sobre a reforma:”Essa reforma também responde a isso porque acaba com a educação básica porque divide as 2400 horas em metade para linguagens, matemática e inglês e a outra metade para as flexíveis que são cinco modalidades, mas qual escola pode oferecer cinco modalidades? Nenhuma. E regride ao pior da ditadura: a educação profissional compulsória”, analisou.

Por outro lado, Thiago Coqueiro, que estuda escolas quilombolas no Estado do Rio de Janeiro, apresentou a realidade destas unidades escolares que têm pouco financiamento e que já estão sendo prejudicadas por ter de entrar nessa lógica de bater as metas do IDEB. “Com iniciativas como essa, o Estado já não possibilita a autonomia das escolas, e essa realidade só tende a aumentar com a reforma e a PEC. Para além disso, o Estado não pensa particularmente a realidade destas escolas, que possuem suas especificidades e quer implantar um padrão de ensino sem levar em conta a realidade dos estudantes.