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Injustiças socioambientais em aula magna em Volta Redonda

Nesta última quarta-feira (9) o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ), o professor de direito e serviço social Marco Aurelio Gandra e o procurador da república Julio Araújo discutiram o cenário socioambietal do país e da cidade em aula magna promovida pelo Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA). Junto a uma plateia com mais de 200 estudantes, os conflitos de Belo Monte, TKCSA, Mariana, PEC 215, Baía de Guanabara e Floresta da Cicuta foram lembrados.

“O modelo de desenvolvimento que temos adotado aponta uma série de contradições. Os riscos assumidos com a vida das pessoas estão sendo naturalizados com políticas de compensação, mas entendemos que o avanço não pode se dar dessa forma. Em nome de mais empregos, deixamos milhares de pescadores sem trabalhar; Em nome de mais alimento, que no caso é a soja, combatemos e matamos indígenas. Precisamos repensar esse modelo de desenvolvimento, de consumo”, refletiu, Flavio Serafini.

Para o procurador, as empresas, que, segundo ele, são grandes violadoras de direito, tratam o meio ambiente como custo. E isso traz consequências sérias. “Vira a lógica da apresentação dos melhores esforços, e não o enfrentamento do problema. E o sistema da Justiça corrobora com essa lógica”, assumiu. Entre os problemas da cidade, ele elencou a preocupação de despejo de resíduos no Rio Paraíba do Sul, saneamento básico e o emblemático caso da Floresta da Cicuta, que hoje está hoje sob gestão do ICMBio e a CSN quer ter a gestão recategorizando para Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)”. “Estamos tratando esse problema como propriedade privada, a gente quer que seja garantida os direitos da Constituição. A Cicuta é de todo povo do Sul Fluminense”.

Para os moradores e militantes da área, os maiores prejuízos da transformação da Cicuta para RPPN são o fim da zona de amortecimento, fim da participação popular na gestão e os riscos de ser administrada por um conhecido violador da legislação ambiental, que é a própria empresa. Os moradores reivindicam para que seja um bem público por ser terra da União.