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Terror, violações e demolições em Vila Autódromo

No final da noite de ontem, 23/02/2016, a prefeitura conseguiu, em decisão inédita da justiça (fora do expediente forense e fora do plantão), a “imissão na posse”, em favor da Prefeitura, da Associação de Moradores e de mais duas moradias de Vila Autódromo. Os moradores passaram a noite em vigília contra mais esta arbitrariedade, na defesa da Associação e das casas e pela permanência e urbanização da Vila Autódromo.
Contudo, a comunidade acordou, mais uma vez, cercada por cerca de 100 guardas municipais. A prefeitura insistiu na demolição da Associação, o que acabou ocorrendo. Agora, a ameaça está sobre as casas daqueles moradores que resistem.

Uma dessas moradias é de D. Maria da Penha, uma das vítimas das agressões da guarda municipal, em 3 de junho de 2015.
A imissão na posse de sua casa contem diversas irregularidades:
1. O Estado, proprietário da terra onde está Vila Autódromo, afirmou interesse no terreno ocupado pela casa de D. Penha, inclusive por meio de documento escrito anexado ao processo;
2. A casa é geminada com a casa de sua mãe que não está incluída no decreto de desapropriação e não foi indenizada;
3. A casa de Maria da Penha é, também, uma extensão da capela da Comunidade, onde fica guardado o material da Igreja e onde, inclusive, é realizada a catequese.

Não bastasse a violência de ver a associação de moradores derrubada e de estar prestes a ver sua própria casa ser demolida, por volta das 9:30h, Dona Penha foi mais uma vez vítima de um episódio absurdo e lamentável envolvendo a Guarda Municipal. Um guarda a paisana foi flagrado dentro da casa da moradora tirando fotos e fazendo vídeos, quando interpelado, mentiu e disse que era de uma mídia independente.

Mas os moradores e apoiadores foram atrás do sujeito e denunciaram a ação ilegal para uma viatura da PM que estava no local. A ocorrência foi registrada na 42a delegacia de policia, quando foi confirmado que o invasor era mesmo um Guarda Municipal a paisana. Este foi o terceiro episódio ilegal envolvendo a GM na Vila Autódromo que foi registrado na 42a DP. Os moradores aguardam providências das autoridades contra essas violações.
Mesmo depois de toda essa violência e agitação provocados pela prefeitura, no final do dia a Vila mais uma vez foi cercada pela Guarda Municipal e funcionários da Prefeitura e a casa da mãe de santo Heloisa Helena Berto foi demolida. E amanhã cedo é muito provável que a casa de Dona Penha seja posta a baixo.

Como as autoridades estão permitindo que esses abusos continuem? Como podemos permitir mais esta violação na nossa cidade? Que legado a Olimpíada pretende deixar para nosso futuro?

Texto: via Vila Autódromo

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