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Chorume de lixão de Gramacho pode afetar corpos hídricos. Denúncia foi realizada em audiência da CE da Baía de Guanabara

Com as intensas chuvas ocorridas na cidade nas últimas semanas, a piscina de armazenamento dos chorumes do Lixão de Gramacho transbordou, contaminando o chorume tratado e o manguezal. A denúncia de contaminação já havia sido realizada no ano passado, em outubro, em uma audiência pública sobre as Injustiças Socioambientais contra pescadores artesanais da Baía de Guanabara, pela Comissão Especial da Baía de Guanabara, presidida pelo deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ). Um dos pescadores que estava dando seu depoimento relatou a ineficiência no tratamento e no controle do chorume, que estava impactando diretamente os viveiros de Caranguejos nos manguezais próximos ao lixão. Conforme o pescador, existem encanamentos clandestinos despejando grande volume de chorume não tratado diretamente nos rios Sarapuí e Iguaçu.

O Lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, foi desativado em 2012, depois de mais de 30 anos recebendo resíduos sólidos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A decomposição desse material é grande geradora de gás biocombustível, como o metano. A partir de 2013, este biogás passou a ser tratado pelo Consórcio Gás Verde S.A., responsável pelo armazenamento e fornecimento do gás para a REDUC. No entanto, apesar de desativado, o lixão continua gerando chorume que, se não for tratado, pode ser a principal ameaça aos corpos hídricos do seu entorno. Em 2015, a concessionária foi multada em R$ 10,8 milhões pela Prefeitura de Duque de Caxias por despejo irregular desse chorume, no Rio Sarapuí, que, depois de desaguar em outro rio, acaba na Baía de Guanabara.

A outra denúncia do pescador da Colônia de Pescadores do Jardim Gramacho foi em relação aos piscinões, que armazenam os chorumes e estavam prestes a transbordar. No dia 03 de novembro de 2015, a área foi vistoriada pela Polícia Federal de Nova Iguaçu e pelo INEA, junto com o pescador denunciante, onde foram coletadas amostras para análises da qualidade da água dos rios. A Comissão solicitou informações à Polícia Federal e ao INEA, mas os resultados das análises ainda não foram concluídos. Mesmo com a multa aplicada, que ainda não foi paga, com as denúncias e as vistorias, parece que a concessionária não tomou providências e não teme novas sanções, já que, em fevereiro deste ano, a profecia do pescador denunciante se concretizou.

“Estamos vivendo um momento em que grandes desastres ambientais estão estourando ao mesmo tempo, como um grito de socorro bradado pela natureza. Além do vazamento do chorume no Jardim Gramacho, foi detectado em Seropédica o vazamento de cerca de 100 mil litros de chorume, que podem atingir o aquífero de Piranema, um reservatório subterrâneo natural de água contíguo ao centro de tratamento de resíduo de Seropédica”,avaliou a pesquisadora Carla Ramoa, da Comissão Especial e completou: “Parece que nada vai mudar, pois o secretário do Meio Ambiente, André Corrêa, em reportagem ao jornal O Globo, afirmou que não tem como interditar a empresa, colocando a culpa na crise do Estado, para justificar a falta de recursos para o tratamento ambiental da região”, concluiu.

 

Confira Deu na Mídia desta semana que fala sobre a quantidade de lixo na Baía de Guanabara.