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A Baía de Guanabara jaz sob um mar de resíduos sólidos

No dia 22/02, saiu no jornal O DIA uma reportagem intitulada “Montanha de lixo recolhida na Baía”. A matéria informa que pescadores e catadores de caranguejos recolheram mais de sete toneladas de lixo das margens do Rio Caceribu. Esta iniciativa é do “Projeto Uçá” através da “Operação Limpaoca”.

 

De fato não é novidade para ninguém que a Baía jaz sob um mar de resíduos sólidos. Se não fosse a Olimpíada de 2016, talvez essa questão continuasse invisibilizada. A verdade é que o lixo – dentre os demais contaminantes – é um dos mais antigos inimigos da Baía de Guanabara. A ineficiência do saneamento básico na região hidrográfica da Baía, a ausência de coleta de lixo em muitos assentamentos, principalmente das comunidades ribeirinhas, são as principais causas da presença perpétua destes resíduos.

 

O Rio Caceribu é um dos principais da APA Guapimirim e da ESEC Guanabara. Estas Unidades de Conservação preservam, juntas, 53 Km2 dos manguezais da Baía de Guanabara, o equivalente a 66%. Se foram encontradas 7 toneladas de lixo em um dos rios da área mais preservada da região hidrográfica da Baía, quiçá seriam encontradas nos cerca de 55 rios contribuintes desta bacia. O resultado do despejo do lixo nos rios é o seu carreamento para o espelho d’água da Baía.

 

Existem mais de 10 ecobarreiras e 10 ecobarcos em funcionamento na Baía de Guanabara retirando o lixo flutuante encontrado. As ecobarreiras estão instaladas em rios que desaguam, na Baía. Na APA Guapimirim, o único rio que contém uma ecobarreira é o Guaxindiba. Sabemos que as ecobarreiras e os ecobarcos são medidas paliativas que não resolvem a questão da saúde ambiental da Baía de Guanabara em sua totalidade. A chave para virar esta situação degradante é um tratamento de esgoto adequado, um maior controle dos efluentes industriais e coleta de lixo eficiente e não seletivo.
Segundo o Instituto Trata-Brasil, em 2012, apenas 58% dos domicílios estavam ligados à rede, havendo, ainda, 1,612 milhão de habitações sem acesso à rede. Isso não é muito diferente de hoje, levando-se em consideração que ao fim do PDBG, em 2006, apenas 56,87% das ligações domiciliares foram feitas.

 

Por Carla Ramôa, geógrafa e assessora parlamentar do mandato coletivo Flavio Serafini (PSOL/RJ).