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OGLOBO: Cremerj investiga denúncia de grupo de mulheres contra obstetra

Cremerj investiga denúncia de grupo de mulheres contra obstetra

Médico, acusado de agredir e xingar pacientes durante parto, está afastado de hospital

POR MARINA COHEN

RIO – O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu sindicância para apurar a conduta de um obstetra do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, acusado por um grupo de mulheres de conduta violenta durante o trabalho de parto. Se for constatada a irregularidade, poderá ser aberto um processo ético profissional, que, em caso de condenação, prevê punições, segundo nota do Cremerj, que vão “desde advertência confidencial até a cassação do registro”. A Secretaria municipal de Saúde também abriu sindicância. O médico, conhecido como “Cachorrão”, foi afastado.

Para a coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública, Arlanza Rebello, o comportamento do médico, que teria dado tapas e xingado as gestantes, é “monstruoso e intolerável”. O órgão acompanha o processo de sindicância da secretaria e cobra medidas de repressão a esse tipo de comportamento, principalmente por parte dos hospitais:

– Nem sempre as mulheres se sentem fortes o suficiente para fazer uma denúncia formal em uma delegacia. Por isso, é importante que as administrações das maternidades não ignorem as queixas, como pudemos perceber através de alguns relatos – afirma Arlanza, ressaltando, ainda, que um maior investimento precisa ser feito na prevenção à violência obstétrica. – Formar enfermeiros e obstetras éticos é uma boa medida. Além disso, as agressões são tão corriqueiras que muitas mulheres nem percebem que isso é violência. Elas precisam ser conscientizadas de que têm direito a um parto digno.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira pelo GLOBO, uma das supostas vítimas do obstetra, Ana Paula Gonçalves Abreu, de 24 anos, contou que o médico deu tapas em seu rosto, dentro da sala de parto, e colocou gaze na sua boca, para impedi-la de gritar. Uma outra vítima, Diciane da Silva Sousa, de 20 anos, afirmou, em depoimento registrado em agosto na 14ª DP, no Leblon, que foi “xingada e maltratada pelo doutor”. De acordo com a queixa, ele teria dito “abre as pernas, bota força, vagabunda!”.

O deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) protocolou, na semana passada, um projeto de lei sobre a violência obstétrica. A ideia é garantir à gestante uma experiência humanizada e responsabilizar os profissionais de saúde que pratiquem atos de violência nas esferas civil, criminal e administrativa.

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