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Mais que uma homenagem, a celebração de uma vida dedicada à luta dos trabalhadores pela Comunicação Popular

No dia 19 de novembro durante o 21º Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) no Rio, o mandato coletivo deputado estadual Flavio Serafini e o mandato vereador Renato Cinco, ambos PSOL/RJ, promoveram a entrega da Medalha Tiradentes (Alerj) e Medalha Pedro Ernesto (Câmara Municipal do Rio de Janeiro), e respectivos diplomas Post Mortem, ao comunicador popular Vito Giannotti. No evento cercado de emoção e de lindas histórias, Claudia Santiago e Luisa receberam as honrarias. Aproveitamos para compartilhar abaixo o texto produzido coletivamente para homenagear nosso querido Vito, um ícone na organização do povo trabalhador e na luta pela comunicação popular.

Comunicação popular Vito Giannotti Presente!

Mais do que um legado de luta, resistência e militância, Vito Giannotti ensinou e celebrou o verdadeiro sentido do amor revolucionário. Radicalizou teoria em prática cotidiana e por onde passasse havia uma semente plantada. Nessa trajetória, encontrou uma de suas paixões: a comunicação e, a partir dela, contribuiu para a formação e o empoderamento de milhares de mulheres e homens. Incansável, Vito era figura presente nas favelas, nas rodas de funk, nos debates, nos sindicatos. Com sua voz rouca, encantava corações e mentes.

Sua ida nos deixa um vazio profundo, mas com a certeza da continuidade de seu legado. Vito Giannotti, metalúrgico, historiador, escritor, jornalista, professor, militante da democracia e do socialismo nos deixou aos 72 anos neste 24 de julho de 2015. Vito veio da Itália e chegou ao Brasil aos 21 anos, em 1964. Primeiro morou em uma favela em Vitória e depois foi para São Paulo, onde trabalhou como metalúrgico. Desde então, apaixonado pela oratória, escrita e vendo a importância de diálogo entre os oprimidos, passou a vida toda construindo e defendendo o empoderamento de uma comunicação democrática para os trabalhadores. Mais do que isso, construiu ainda resistência à ditadura, às opressões de todas as frentes, o combate ao machismo, a luta de classes, celebrou e fortaleceu a pesquisa e a memória das lutas sociais e operárias. É dele um dos poucos livros brasileiros que contam com riqueza e variedade a história das lutas dos trabalhadores.

E ele fazia isso com aquela determinação e paixão dos lutadores imprescindíveis. Para Vito, a comunicação dos trabalhadores não pode abrir mão da qualidade, da estética, e da clareza de ideias, e ele fazia disso um mantra que ficará para sempre inquietando cada uma e cada um que já participou das inúmeras palestras e cursos ministrados por ele ou até mesmo quem já esteve no papel de interlocutor em uma simples conversa de botequim.Vito deixou mais de 20 livros e o Núcleo Piratininga de Comunicação, no Rio de Janeiro, um centro de estudos, de memória, de debates, de produção e troca de conhecimento.

Como fundador do Núcleo Piratininga de Comunicação junto a sua companheira de vida e lutas, Claudia Santiago, Vito promoveu encontros e trocas incontáveis entre lideranças sociais, intelectuais e trabalhadores. Todos com um objetivo em comum: construir uma comunicação para e feita pelos trabalhadores para contrapor a da imprensa hegemônica, que não tem espaços para suas lutas e suas respectivas pautas.

Incansável, Giannotti deixa, um legado para todos os interessados em entender a importância da comunicação na formação de um pensamento crítico e na construção da luta dos trabalhadores.

Mais do que disputar narrativas e a comunicação, Vito disseminou esperança, generosidade e humildade. Um poema de Brecht define a trajetória desse homem de luta: “Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. Vito era e é imprescindível. Vito Giannotti, presente!”

Assinam este texto a equipe do mandato coletivo Flavio Serafini e as companheiras Camila Marins, Sheila Jacob, Tatiana Silva e Raquel Junia.