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Pescadores sofrem ameaças e risco de extinção na Baía de Guanabara

Considerados povos tradicionais, os pescadores artesanais chegaram há milênios para pescar, catar caranguejos, raspar mariscos para sua alimentação e existência. Estas atividades, no entanto, correm o risco da completa extinção por conta da exploração industrial e petrolífera na região. Para se ter uma ideia, em 15 anos, a pesca artesanal foi reduzida em 64% na Baía.

Um dos principais motivos é o processo de licenciamento do Pré-Sal da Baía de Campos que, com a implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), tende a recrudescer esse processo. Na última audiência pública realizada pela Comissão Especial da Baía de Guanabara na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na sexta-feira (23/10) o diretor-presidente da Associação Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Ahomar), Alexandre Anderson, que já foi ameaçado de morte afirmou que a militância dos pescadores contra crimes ambientais incomoda as empresas.img-X21181034 combaia_geral_ cl_15_10_23

“Nossas denúncias preocupam os empresários. Muitas colônias de pescadores têm um histórico de desaparecimento e até mesmo de morte de seus integrantes. Fui baleado em 2009 e estou no programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos da Presidência da República. Até hoje, estes casos de violência ocorrem com frequência”, afirmou Alexandre.

Segundo o coordenador de Fiscalização do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marcio Valle, a entidade vai propor uma série de ações para apurar as infrações apontadas durante a audiência. “Vamos buscar o apoio de órgãos do Estado, como o Comando de Polícia Ambiental (CPAM) e o Grupamento Aero-Marítimo da Polícia Militar para que eles nos ofereçam o suporte técnico e logístico para uma investigação”, declarou Márcio.

Para o presidente da Comissão, deputado Flavio Serafini (PSOL), é inaceitável que os pescadores sejam ameaçados por lutarem por seus direitos: “Tudo isso leva a uma reflexão sobre os modos de vida dessas comunidades em contraponto a um modelo de desenvolvimento que ou não os percebe ou finge não perceber. O impacto sobre a natureza se insere nesse contexto de uma maneira óbvia, pois se a natureza vai mal, os pescadores vão mal. Se os pescadores vão mal, a natureza vai mal. Apoiar a pesca artesanal e criar políticas e condições socioeconômicas para que se expanda devem ser parte obrigatória de qualquer programa de recuperação da Baía”, refletiu Serafini.

Com colaboração do site da Alerj.