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Na semana de ataques aos direitos das mulheres, elas foram às ruas em dia histórico

12193372_1130098623686097_8928450076359032466_nNesta semana, as mulheres sofreram uma série de ataques. Primeiro, uma menina de 12 anos, participante de um programa de TV, foi chocantemente assediada pela internet. Este caso grave desencadeou na campanha ‪#‎primeiroassedio‬ no Facebook, que revelou que esse drama é vivido por todas as mulheres. A retomada do caso de que um pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro agrediu brutalmente sua ex-mulher também veio à tona. Uma outra forma violenta de tratamento da mulher foi o grave ataque aos direitos humanos sofrido por uma presidiária grávida, que sofria transtorno mental, que foi obrigada a dar à luz em uma solitária, sem nenhuma assistência. Junto a isso, o retrógrado PL5069 proposto por Eduardo Cunha passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara do Rio, criminalizando a pílula do dia seguinte. Dentro da própria Alerj, outro sério ataque aos direitos da mulher também esteve em discussão. O relatório da CPI do Aborto foi aprovado por 6 votos a 1, criminalizando ainda mais as mulheres e até os abortos espontâneos e legais.

Em contraponto a isso, as questões do ENEM, que abordaram a violência contra a mulher e o feminismo, citando Simone de Beauvoir, e o histórico ato em defesa da vida das mulheres e contra o Eduardo Cunha que aconteceu no dia 28/10 mostram que as mulheres estão reagindo ao silêncio imposto historicamente pela sociedade patriarcal. A manifestação, organizada por movimentos feministas, reuniu cerca de 3 mil mulheres, concentrou-se na Alerj, passou pelo escritório de Eduardo Cunha no Rio de Janeiro e se encerrou com diversas intervenções artísticas na Cinelândia. Entre as palavras de ordem estavam “Cunha, sai. Pilula, fica”, “Meu corpo, meus direitos” e “Meu útero é laico”.

“Cunha desde que se projetou como líder do PMDB tem se sustentado em uma política extremamente conservadora e de ataques ao Estado Laico como forma de garantir uma base social sólida enquanto achacava empresários e o governo. Assim distribuía favores financeiros às custas do dinheiro público com uma agenda voltada ao baixo clero e dinheiro privado oriundo de seus esquemas para comprar apoios”, afirmou Flavio Serafini (PSOL/RJ).

Sobre a CPI do Aborto

Na Alerj, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o aborto aprovou um relatório final que, em linhas gerais, indica para o caminho de maior rigor na punição da prática do aborto, tanto das mulheres quanto dos médicos. Em nenhum momento do relatório foram mencionadas medidas relacionadas à saúde das mulheres, qualquer estatística sobre a mortalidade de mulheres e sua classe social. O relatório é resultado de como ele foi conduzido: a única mulher que compõe a CPI, a Deputada Márcia Jeovani (PR), não estava presente na leitura pública do relatório. Das 16 pessoas ouvidas ao longo das reuniões da CPI, apenas duas eram mulheres: uma policial, da Corregedoria Interna da Polícia Civil do Estado do RJ, e uma farmacêutica, representante de empresa distribuidora de medicamentos. Na votação, o discurso entre os parlamentares era de criminalização e nenhum tom soou na perspectiva da saúde das mulheres.

O deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ) que havia discursado no dia anterior (27/10) em plenário sobre o tema defendendo a não-aprovação do relatório, no dia da aprovação, mesmo não fazendo parte da CPI, fez questão de defender sua indignação em relação à redação final. A ONG Meu Rio apoiou a mobilização com uma campanha para envio de emails aos deputados que compõem a CPI. E continuará acompanhando a tramitação do texto que seguirá para votação em plenário. Confira aqui: http://www.mulheresmobilizadas.meurio.org.br/