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Emenda pior que o soneto

Berenice Seara em

Jornal Extra – Coluna Extra-Extra

A oposição, ou melhor, Flavio Serafini, do PSOL, protestou, nesta terça-feira (20), na Assembleia, contra o não andamento das investigações sobre o secretário-executivo municipal de Governo, Pedro Paulo Carvalho (PMDB), acusado — com registro em delegacia e exame de corpo de delito — de ter agredido a mulher, em 2010. Nestes cinco anos, a investigação ficou em banho-maria. Pedro Paulo não foi chamado sequer a prestar depoimento. Os governistas correram em defesa do secretário — fiel colaborador do prefeito Eduardo Paes (PMDB) e pré-candidato à sua sucessão. Mas Tiago Mohamed (PMDB) entornou o caldo. “É lamentável ver questões de foro íntimo serem trazidas ao debate político. (…) Uma questão da vida privada do deputado Pedro Paulo!”, disse o moço. Foro íntimo? Vida privada? Na hora, nenhuma integrante da Comissão da Mulher estava em plenário. Nem a presidente, Enfermeira Rejane (PCdoB), nem a vice, Martha Rocha (PSD). Martha, aliás, era diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher, em 2010. Ela diz que não foi informada sobre o registro de ocorrência envolvendo o secretário de Governo. Rosa choque O discurso de Mohamed provocou a reação das deputadas. Enfermeira Rejane (PCdoB) fará, hoje, um pronunciamento: “Ele não sabe o que diz. Até hoje a gente é obrigada a escutar coisas como essa, ainda mais de um parlamentar”. Em nota, Martha Rocha, que estava quieta, disse lamentar “profundamente que um inquérito de violência contra a mulher não tenha sido trabalhado de forma correta”. Rejane anunciou que vai convocar uma audiência pública sobre a morosidade da atuação das Delegacias de Mulheres. E sugerir que as nove deputadas assinem um documento, pedindo que o caso Pedro Paulo seja corretamente investigado. “Há questões, como saúde e violência contra a mulher, que estão acima da política”, disse Rejane.