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Diligência da Comissão Especial da Baía de Guanabara constata sérios riscos aos golfinhos

Diligência da Comissão Especial da Baía de Guanabara constata sérios riscos aos golfinhos

A Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) criada para discutir a despoluição da Baía de Guanabara realizou, na última quarta-feira (21/10), uma diligência pelas águas da baía para conhecer in loco a vida marinha da região e os problemas que impactam o cotidiano e a sobrevivência dos animais. A inspeção aconteceu em conjunto com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) do Departamento de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Durante a diligência, os deputados e oceanógrafos avistaram alguns dos cerca de 40 botos cinza que ainda existem na região. Os parlamentares pretendem sugerir a criação de um corredor ecológico na baía para a preservação da vida marinha.

Partindo da Ilha do Governador, o presidente da comissão, deputado Flávio Serafini (PSOL), além dos deputados Nivaldo Mulim (PR) e Tiago Mohamed (PMDB), fizeram um trajeto de barco que passou pela Ilha de Paquetá chegando à entrada da APA de Guapimirim, local onde é encontrado o maior número de botos. Durante a diligência, os deputados, auxiliados por aparelho que mede a poluição sonora no fundo do mar e dos pesquisadores do laboratório da Uerj, puderam ouvir os ruídos provocados pelas embarcações que estão espalhadas por toda a baía e provocam sérias consequências à reprodução e à vida dos animais. Além disso, diversos terminais de óleo e gás, muitas embarcações abandonadas e imensas áreas de fundeio, que movimentam centenas de navios de forma incessante, foram outros fatores constatados que causam grande impacto na população marinha local.

Extinção

Em audiência pública realizada na Alerj no mês de agosto, diferentes pesquisadores denunciaram o risco de extinção de várias espécies na baía. Segundo Alexandre de Freitas, do Maqua, o sumiço dos botos é alarmante. Em 1980, havia 400 animais, enquanto, atualmente, apenas 40 deles circulam pela região, uma perda de 90% em 35 anos. Além dos botos, quase a metade das tartarugas verdes, as chamadas Aranuã, que podem ser encontradas na região, sofrem com fibropapilomatose, uma doença caracterizada pela presença de múltiplos tumores de pele que podem também afetar órgãos internos. Os cavalos-marinhos também estão praticamente extintos. Em 1995, havia 217 desses peixes e, em 2015, de acordo com a Uerj, há apenas 14.

Flavio Serafini defendeu que é necessário criar medidas urgentes que possam impedir a extinção completa desses animais. “É visível que o número de embarcações estacionadas na baía estão saturando o meio ambiente e isso tem um impacto direto na biodiversidade. É preciso estudar a possibilidade de fazer um corredor ecológico ou novas áreas de preservação, contribuindo para a retomada da biodiversidade e para um ciclo de recuperação das condições das águas”, afirmou o deputado. A próxima atividade da comissão será uma audiência pública nesta sexta-feira (23/10) na Alerj. O tema debatido será “Injustiças socioambientais contra os pescadores artesanais da Baía de Guanabara”.