Home > Notícias > Direitos Humanos > Aborto seguro para não morrer

Aborto seguro para não morrer

abortoO dia 28 de setembro é o dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina. A data foi escolhida para ampliar e aprofundar o debate. Neste ano, a Frente Nacional Pela Legalização do Aborto, formada por diversas articulações, redes, coletivos e instituições feministas do país, lançou um panfleto explicativo abordando questões sobre o Aborto, além de promover atividades em todo o país. No Rio de Janeiro, o ato foi feito em frente à estação de metrô da Carioca, no Centro.

O aborto é um drama que atinge muitas mulheres brasileiras. No ano de 2010, uma pesquisa da Universidade de Brasília revelou o que o movimento feminista vem denunciando há décadas: o alto índice de abortos e a tragédia da criminalização deste para a vida das mulheres. A pesquisa aponta que mais de um quinto das mulheres do país fazem pelo menos um aborto até o fim da vida reprodutiva e 22% das mulheres entre 35 e 39 anos já realizaram um aborto em algum momento da vida. O aborto inseguro no Brasil representa a quarta principal causa de morte materna.

A pesquisa traz ainda um importante mérito que é revelar o perfil da mulher que aborta, desfazendo uma série de estigmas e preconceitos: ela é casada, tem filhos, religião e costuma carregar sozinha o peso de sua decisão.

“Dentre o total de mulheres que declaram na pesquisa já terem feito pelo menos um aborto, 64% são casadas e 81% são mães. Pouco menos de dois terços das mulheres que fizeram aborto são católicas, um quarto protestantes ou evangélicas. A pesquisa também revela que cerca de 60% das mulheres fizeram seu último (ou único) aborto no centro do período reprodutivo, isto é, entre 18 e 29 anos, sendo o pico de incidência entre 20 e 24 anos”.

De acordo com dados do Datasus, são cerca de 230 mil mulheres internadas por ano para o tratamento das complicações decorrentes do abortamento inseguro, sendo o atendimento ao aborto mal sucedido o segundo procedimento obstétrico mais realizado nos serviços públicos de saúde do país.

*  trecho do artigo Insurgência Pela Vida das Mulheres: Legalizar o aborto, de Isabel Carneiro, publicado no site da corrente Insurgência (PSOL)