Home > Notícias > Direitos Humanos > Você matou meu filho

Você matou meu filho

A organização não governamental Anistia Internacional apresentou o relatório chamado “Você matou meu filho” – Homicídios cometidos pela Política Militar na Cidade do Rio de Janeiro, no qual relata uma série de casos de homicídio praticados por policiais militares nos anos de 2014 e 2015 na cidade do Rio de Janeiro – no dia 01/09, na Alerj, em uma audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos.

Entre os dados divulgados, estava que apenas 8% dos homicídios são levados à Justiça; em 10 anos, 5132 pessoas foram assassinadas somente na cidade do Rio de Janeiro. De 2013 para 2014, os números de homicídio aumentaram em 40% . A Anistia revelou ainda que há fortes indícios de execuções extrajudiciais e um padrão de uso desnecessário e desproporcional da força pela Polícia Militar. Destes, 99,5% das vítimas são homens; 79% negros e 75% jovens.

“Estes números são dramáticos e parece que estamos a um passo da naturalização da morte. Não podemos aceitar essa realidade de nossos jovens e da polícia numa guerra às drogas generalizada”, refletiu o deputado estadual Flavio Serafini.

O Coronel da Polícia Militar Ibis Pereira afirmou que há uma ausência de políticas públicas de segurança e isso pode trazer sérias consequências. “Temos ações e programas, mas não uma política. Nos últimos 18 meses, a Polícia Militar apreendeu 201 fuzis, e esta deveria ser uma função da União. Somos empurrados para a guerra, empurrados para a favela, para matar e morrer. A consequência de transformar o policial em máquina de matar é esta: acabar com a sensibilidade em relação ao ser humano”, relatou.

Um exemplo claro dessa insensibilidade é o do filho de Monica Cunha, que teve seu filho preso por um ato infracional e teve de conhecer o sistema bem de perto. “Todas nós aqui tivemos filhos assassinados. Não dá pra continuar assim. Já temos pesquisas e relatórios, e o relatório da Anistia abrange todas as informações que precisamos. Precisamos de ações. Não dá mais para continuar assim”, afirmou a fundadora do Movimento Moleque, criado após sua experiência pessoal para auxiliar familiares e promover direitos de adolescentes, que estão no sistema socioeducativo.

Confira o relatório na íntegra