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Baía de Guanabara: área de sacrifício da vida marinha

img_boletimEm audiência pública da Comissão Especial da Baía de Guanabara realizada no dia 28/08, na Alerj, uma constatação ficou clara: a vida marinha na baía está chegando ao fim de maneira acelerada. Imagem símbolo do brazão de nossa cidade, os golfinhos, estão ameaçados. Além dele, as tartarugas verdes, os cavalos-marinhos e toda a fauna do mangue.

Flavio Serafini, que preside a Comissão, abriu a audiência já ressaltando a importância para que a discussão vá além das Olimpíadas. “É claro que não queremos transtornos nos Jogos, mas é necessária uma mudança de paradigma, pois devemos olhar para a Baía com um olhar totalizante, com maior respeito à diversidade”, afirmou. Além de Flavio Serafini, estavam na mesa para discutir o tema José Alexandre Maximiniano, do Grupo de Apoio Especializado na tutela do Meio Ambiente (Gaema) – MPRJ; Cassiano Monteiro Neto, do Projeto Aruanã; Alexandre de Freitas, do Maqua; Mario Luiz Gomes, do Nema/Uerj e Cesar Bernardo, Biologia Marinha/UFF, assim como os parlamentares Nivaldo Mulim e Thiago Mohamed.

Alexandre de Freitas, do Maqua, indicou a perda dos golfinhos. Em 1980, havia 400 animais. Hoje apenas 40 deles circulam pela região. Uma perda de 90% em 30 anos. Além disso, há baixa fecundidade. “As fêmeas se reproduzem, em média, 1 filhote a cada três anos. A gestão é de 11 meses, mas tem fêmea que está com uma gestação de cinco anos, devido às condições de reprodução”, informou.

As tartarugas verdes, as chamadas Aranuã, também podem ser encontradas na região. No entanto, 43,1% das tartarugas da praia de Itaipu, por exemplo, têm fibropapilomatose, que é uma doença caracterizada pela presença de múltiplos tumores de pele que podem também afetar órgãos internos. “Esses tumores podem prejudicar o deslocamento e alimentação dos animais, causando debilidade e, consequentemente, a morte. E ela ocorre devido à presença de agentes poluentes”, afirmou o pesquisador Cassiano Neto. O pesquisador afirmou também que a pesca fantasma é responsável pela perda de 640 mil toneladas de animais marítimos por ano somente na região sudeste. E que a captura acidental mata mais de 1000 tartarugas por ano na frota de peixe e mais de 2000 na de camarão.

“Encontro bicho morto quase todo dia”. Com essa frase, o pesquisador Cesar Bernardo que estudo cavalos marinhos desabafou seguindo com apontamento dos dados concretos: em 1995, havia 217 peixes. Em 2015, 14. Segundo o pesquisador, o esgoto industrial é o pior poluidor da BG. Ele relatou ainda que sofreu um acidente de vazamento de produtos químicos enquanto fazia sua pesquisa. “Perdi equipamentos, tive problemas de intoxicação e ainda matou todos os objetos de pesquisa, os mais de 20 cavalos marinhos. A empresa foi multada em R$35 milhões, mas não sei se a multa foi aplicada”, lembrou.

O representante do Ministério Público, José Alexandre, do Gaema, levantou a questão da dragagem da Baía e o fato de que os processos de licenciamento não concluíram todas as suas etapas e que é preciso resolver os vícios dos processos relacionadas a esta temática. Guigo Geli, do Inea, colocou que a questão da Baía é extremamente complexa e envolve disputas de interesses. Segundo ele, a pressão imposta pelo desenvolvimento econômico acaba limitando a atuação do órgão.

A próxima audiência terá como tema Riscos para a saúde advindos da contaminação da Baía de Guanabara, e será realizada no dia 11/9, às 9h30, com convidados como Feevale, Fiocruz, Inea e Ibama.