Home > Notícias > Justiça Socio Ambiental > Por uma outra alternativa para a barragem de Guapiaçu

Por uma outra alternativa para a barragem de Guapiaçu

barragem guapiacuNesta quinta-feira, dia 6/8, foi realizada uma audiência pública sobre a construção da Barragem do Guapiaçu, um dos principais planos do governo do estado para combater a crise hídrica, abastecendo municípios como Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí. Porém, os moradores da região estão travando uma luta contra o despejo que irá ocorrer por conta desta construção. Eles, em sua maioria, agricultores, além de moradia, tiram seu sustento e trabalho do local. Hoje, a produção da região é responsável pela produção de 40% dos alimentos vendidos no Ceasa.

 

Durante a audiência, representantes do governo estadual, da Cedae, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), moradores locais e do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) apresentaram suas versões sobre a barragem. Adacto Ottoni, professor da UERJ, explanou sobre como a construção do jeito que está proposta prejudicará a natureza e não garante abastecimento de água. Segundo ele, a melhor alternativa é buscar uma solução sustentável que seja ecologicamente viável e socialmente desejável. Apontando esse caminho, o professor afirmou que apenas com o reflorestamento destas áreas seria possível aumentar a umidade do solo e, em consequência, o armazenamento de água. “Temos que sair da mesmice dessas obras que arrebentam nossa natureza e buscar soluções mais sustentáveis. A apresentada aqui como outra possibilidade não precisa de empreiteira, os próprios moradores locais podem se envolver no processo”, afirmou.

 

A moradora Rosilene Brives, do MAB, disse que as pessoas estão entrando em depressão com medo de ficar sem trabalho e sem moradia, por conta da construção da barragem. “Não somos contra o abastecimento, mas defendemos a atenção ao projeto alternativo, que leva em consideração os moradores locais e não que inviabilize nosso modo de vida. Queremos água para a vida, e não para morte”, refletiu.

 

O deputado estadual Flavio Serafini criticou a postura do governo pela falta de diálogo com a proposta do projeto alternativo que é mais barato e mais sustentável. “Esse modelo de Barragem do Governo Estadual tem graves impactos sociais. Rompe com trajetórias de vida, com inserções sociais históricas. Não podemos aceitar esse processo, naturalizar que essas famílias não tenham o direito de ficar onde estão. Além do mais, essa solução é mais custosa para o Estado. Além dos R$200 milhões gastos com a construção, ainda teremos os gastos de reassentamento, que sabemos, historicamente, que não são feitos como devem ser”, enfatizou Flavio.