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Menos soluções aligeiradas, mais propostas concretas

Menos solucees aligeiradas, mais propostas concretasA despoluição da Baía de Guanabara está na crista da onda. Muito por conta dos Jogos Olímpicos que estão chegando – e essa ação seria uma de suas contrapartidas -, mas grande parte das discussões é devido à gravidade do problema. Somente nesta última semana, foi realizada a primeira reunião da Comissão Especial da Baía de Guanabara, da qual o deputado Flavio Serafini é presidente; e também aconteceu o Festival Baía Viva, que reuniu uma barqueata, shows e debates para sensibilizar a população sobre o assunto. A comissão de saneamento ambiental da Alerj também tem dedicado atenção ao tema, e realizou uma audiência pública que discutiu a importância da criação das unidades de tratamento de rio (UTRs) e captação em tempo seco como alternativa para despoluição.

Como um dos convidados, estava o oceanógrafo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, David Zee, que apontou as UTRs como saída mais factível a curto prazo. “Elas ajudam em três demandas: retiram o luxo, a contaminação viral e os sedimentos podem ser interceptados”. Para o deputado Flavio Serafini, é preciso pensar em medidas definitivas. “As UTRs me parecem caras. É melhor que a gente acelere algumas medidas, como a captação em tempo seco, que é uma solução relacionada ao esgotamento sanitário. Algo mais demorado, porém, perene, que deixa um legado permanente”, afirmou Serafini.

 

O professor da Uerj Adacto Ottoni afirmou que é necessário tomar providências emergenciais para melhorar a qualidade da água na Baía. Adacto defendeu que nas áreas mais populosas são necessárias galerias interceptadoras de esgoto nas laterais dos rios, que façam um bombeamento para as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Outro assunto citado na audiência foi a questão que apareceu recentemente nos jornais sobre os botos, que estão entre os animais marítimos mais contaminados do mundo. O pesquisador da Uerj José Lailson Brito afirmou: “Garanto que se formos analisar o tecido adiposo, o sangue e a urina de boa parte dos que estão aqui e que eventualmente interagem com a Baía de Guanabara, que se alimentam de pescado da baía, certamente têm os mesmos contaminantes”, disse e completou: “A poluição da Baía é um problema da saúde pública”.

No calendário de reuniões da Comissão Especial da Baía da Guanabara estão as seguintes pautas: Impactos da poluição sobre a saúde humana, Conflitos envolvendo os trabalhadores do mar; saneamento ambiental e preservação dos rios contribuintes; preservação da vida marinha; compromissos para o legado olímpicos; esportes amadores e Baía como espaço público; transportes aquaviários; Indústria Petrolífera e Infraestrutura portuária e dragagem.