baiavivaMúsica, discussões, palavras de ordem, bandeiras, barcos e muita disposição marcaram o último sábado, dia 8, o Festival + Barqueata Baía Viva, que tinha como intuito cobrar ações concretas das autoridades na despoluição do local, um dos mais ricos ecossistemas do estado e cujo entorno concentra mais de 70% da população fluminense.

No mar, ativistas, pescadores, remadores, velejadores e representantes do movimento Baía Viva foram à Marina da Glória, local de competições de vela durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 e que já está abrigando os eventos-teste. “O renascimento do Movimento Baía Viva reúne diversos setores da sociedade, que ultrapassa o seu espelho d’água, que é importante, mas só pensar nele é cair no erro. São pessoas sem saneamento básico, acesso à saúde, água, cultura, lazer e seu patrimônio cultural e social preservado. A campanha consegue ampliar esse olhar, o ecossistema, essa complexidade. Não podemos pensar sua recuperação no lado ambiental, mas numa crise social, de injustiça”, refletiu o pesquisador Sebastião Raulino.

 

Precisamos de uma limpeza maior de toda a Baía a longo prazo e que isso entre no calendário da cidade e seja orquestrado por pessoas que já fizeram esse tipo de projeto”, afirmou Isabel Swan, medalhista de bronze ao lado de Fernanda Oliveira na classe 470 nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, à Agência Brasil.

 

Em terra, uma agenda tomada por bandas e debates cobriram o Aterro do Flamengo durante todo o dia para discutir a questão. “É possível tomar ações de curto prazo para que a qualidade da água melhore. É muito triste que ela esteja nesse estado, com golfinhos voltando a morrer, poluição, risco de contaminação para as pessoas”, comentou Flavio Serafini que completou: “Esperamos que, a partir desse movimento e de um esforço de diferentes esferas do Poder Público, consigamos retomar um planejamento sério de saneamento ambiental, tratamento dos lixões que ainda operam na margem da baía, revisão das licenças das indústrias no seu entorno”, disse ele, que também participou da barqueata.

Sobre o compromisso de despoluição

Um dos compromissos assumidos pelo Rio de Janeiro com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para receber os Jogos Olímpicos foi despoluir 80% da Baía de Guanabara. A menos de um ano do início das Olimpíadas, o governador Luiz Fernando Pezão já admitiu que não será capaz de cumprir a meta.