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Os pescadores não vão pagar pela crise hídrica provocada pelas empresas

pescadores santacruzNo dia 01/7 os pescadores do Canal do São Francisco, na Baía de Sepetiba, tentaram se reunir com representantes da Associação das Empresas do Distrito Industrial (Aedin) de Santa Cruz para buscarem soluções para a obra da soleira, que está prejudicando a pesca artesanal na região, mas os membros da associação não apareceram. Por conta do descaso por parte das empresas, cerca de 10 embarcações e 50 pescadores estiveram em protesto no local. Edson Correa, liderança local, amarrou-se à soleira para reivindicar a retirada da mesma e para que os trabalhadores possam encontrar os empresários para um diálogo.

Após este protesto, responsáveis pela obra se comprometeram a parar a construção da soleira submersa pelo menos até a próxima sexta-feira (dia 3/7), data que os representantes da Aedin se comprometeram a receber os pescadores.

A soleira submersa em construção está impedindo o trânsito das embarcações que passam pelo rio para a pesca na Baía. Em certos períodos do dia, a barragem cria uma “correnteza” que não permite a passagem dos barcos, colocando em risco a vida de pescadores e turistas da Baía de Sepetiba. A “correnteza” muitas vezes tem impedido também o retorno dos pescadores. Muitos deles estão há mais de uma semana sem pescar.

De acordo com a equipe técnica do mandato Flavio Serafini e do PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul, que esteve presente no local, a obra não passou por licenciamento cuidadoso e, mesmo assim, o Inea concedeu a autorização ambiental para a construção. Entre as inconsistências do processo, a empresa não consultou a comunidade atingida e ainda não levou em consideração a atividade pesqueira local, uma das únicas formas de subsistência para moradores da região.

Entenda o Caso

A soleira submersa é uma estrutura hidráulica que está sendo construída no Canal do Rio São Francisco para contenção da entrada de água do mar na água do rio. A estrutura é formada por estacas de metal que atuam no represamento da água salgada que não é útil à atividade industrial. A chamada “intrusão salina” tem ocorrido desde o ano passado, quando houve queda na vazão do Rio Paraíba do Sul, e tem atingido as indústrias do polo de Santa Cruz que se localizam às margens do Guandu.

 

No dia 15 de abril, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) concedeu a autorização ambiental IN030406 para obra emergencial de construção da soleira pela Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz e Adjacências (Aedin), formada pela ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA),Gerdau e Furnas, entre outras. A autorização ambiental tem validade de um ano. Somente no dia 9 de maio, 24 dias depois da autorização para a obra, os técnicos do INEA se reuniram com os pescadores da região para expor o projeto. Segundo o pescador Jaci, na reunião os técnicos asseguraram que a obra não causaria impacto negativo à pesca da região. Quando questionados pelos pescadores sobre possíveis alternativas, os técnicos argumentaram que a obra já estava autorizada pela Marinha e pelo Inea.

Com colaboração da comunicação do PACS.