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Mudanças climáticas em debate

mudancasClimaticasNesta última terça-feira, dia 16/6, o mandato Flavio Serafini e o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) promoveram o debate Mudanças Climáticas e Justiça Ambiental tendo como convidados Ivo Poletto, assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, Letícia Rangel, da Ong Fase e Carta de Belém, Marcelo Durão, do MST, Moema Miranda, Ibase, e o deputado estadual Flavio Serafini. O seminário foi divido em três principais assuntos: como está o mercado atualmente, o que isso vem impactando na Terra e nos seres que habitam nela e quais as proposições e atitudes que podemos tomar a partir de agora para não entrar em colapso. Dentre as falas, a COP 21 (21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que acontecerá no final do ano em Paris, também foi relembrada.

Para Letícia Rangel, em nome da luta contra o aquecimento do planeta, muitas soluções via mercado financeiro vem sendo pensadas. “As empresas hoje se mobilizam em compensar suas emissões, veem nessas compensações uma nova forma de mercado, mas não pensam em reduzir as emissões”, refletiu. Ela fez questão de colocar a urgência na discussão do INDC (Contribuição Intencional Nacionalmente Determinada, em tradução livre), um relatório de compromissos que contém as metas nacionais para a mitigação das mudanças climáticas e serve como base para as negociações da COP 21. “Precisamos discutir e cobrar o documento que vai ser apresentado, além do que vai ser tirado de Paris. Temos de apresentar o que as pessoas pouco conhecem como a nova economia dos territórios, que faz a gestão dos bens comuns; o fortalecimento da agroecologia e ainda se preocupar com esse congresso que já quer tirar direitos consolidados como a disputa pela aprovação do código da mineração, o florestal, a liberação de transgênicos e de agrotóxicos, entre outros, na hora de propor esse documento”, afirmou.

Já o representante do MST, Marcelo Durão, lembrou que o debate sobre mudanças climáticas surge na década de 1950, em 1962 voltou à tona com o lançamento do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, mas se aprofunda a partir de 1970. Para ele, este debate é mais um exemplo da lógica do capital que quer transformar tudo em propriedade privada. “O comércio de carbono cria preço para a respiração do planeta. Hoje estamos vivendo uma lógica em que as coisas que fazem parte do bem-comum passam a ter custo porque não pode ser de todo mundo. O mercado de carbono, a compensação ambiental, esses são alguns dos sinônimos para o capitalismo verde, que continua com a mesma lógica de centralizar a riqueza nas mãos de poucas pessoas”, comentou.

Ivo Poletto apresentou que recentemente o Observatório do Clima publicou uma pesquisa que informava que a população reconhece que estamos vivendo mudanças climáticas e que elas impactam diretamente suas vidas, e, apoiariam se houvesse políticas públicas que incentivassem, por exemplo, a produção de energia solar doméstica. “Achar que a população não está percebendo é injusto, assim como cobrar a ela uma conta que não foi feita por ela”, afirmou. Para ele, devemos ainda dar centralidade ao debate dos direitos da Terra. “O que está acontecendo são gritos, esperneios da Terra dizendo que está sendo ferida, que nunca foi escutada, não ouviram seu coração bater, não ouviram seu pulmão pulsar, mas não são todos, porque os indígenas ouvem e sentem”, lembrou. Entre suas proposições, surgiram o incentivo à agroecologia, e o entendimento que o cultivo da terra e a alimentação sadios são formas de trazer mais saúde ao planeta e a redução do consumo de energia. “Todos os animais resolveram seu problema de uso da energia com a energia que vem do sol, que é abundante e infinita. Nós, os únicos seres pensantes, não conseguimos administrar isso e usamos recursos finitos”.