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Educação e Juventude em discussão

No primeiro círculo sobre educação e juventude, o papel da escola e do Estado foram temas centrais de discussão

EducacaoeJuventudeemdiscussaoDenúncias, reflexões e proposições para a educação. Esse foi um balanço do primeiro círculo do mandato que debateu temas de educação e juventude no dia 26/5 com professores e estudantes, intitulado “A Educação emancipatória como resposta ao conservadorismo”. O professor e companheiro de lutas do PSOL Tarcísio Motta abriu a discussão sobre educação no estado do Rio de Janeiro com uma reflexão sobre o papel da escola. Para ele, a escola, mesmo que tenha um conteúdo progressista, reproduz o status quo e que ela não é a salvação isolada na sociedade. “Não podemos encarar a escola como um espaço de redenção. A escola é um espaço em disputa e as lutas ultrapassam seus muros”, explica. Tarcísio lembrou ainda que na América Latina a educação e os educadores estão no centro da luta de classes. “É só a gente levantar as últimas grandes greves nesses países”, relembrou.

A educadora Ivanete Silva, de Duque de Caxias, lembrou o quanto é penoso colocar nas costas dos educadores que a educação e a escola vão resolver todos os problemas da sociedade. “Além de tudo isso, estamos pagando por uma crise que reconhecemos e somos constantemente coagidos, criminalizados por participar de processos que não achamos legítimos como Saerj [Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro], o prova Brasil”, afirmou.

O estudante de história Felipe Spinetti, refletindo sobre sua formação, falou sobre o modelo atual, que, segundo ele, está destruindo vidas dos profissionais e dos estudantes. “Como vamos disputar isso? Essa escola salvadora faz parte de uma lógica capitalista, responde a esse sistema, que é da adequação”, afirmou.

Diversos estudantes ainda relataram sua dificuldade de enfrentar o autoritarismo das unidades, o enfraquecimento dos grêmios, a falta de intersetorialidade com pautas da cultura e da juventude. Um dos casos mais emblemáticos do descaso do estado com a educação foi lembrado também por estudantes do Complexo do Alemão, região que conta apenas com duas escolas para atender a toda a comunidade e ainda estão correndo o risco de fechar.

O deputado estadual Flavio Serafini afirmou que essa falta de estrutura não é por acaso. “Isso não é casualidade, não é incompetência, mas um modelo que reproduz as desigualdades. Educação não pode ser treinamento dos trabalhadores. Queremos homens e mulheres críticos”, lembra e complementa com o papel do mandato: “Temos a tarefa de contribuir com as lutas de educação de qualidade”, afirmou.