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Deu na mídia

Assessora parlamentar, Mariana Medeiros, analisa a matéria ” Vândalos destroem vegetação em manguezal às margens da Lagoa de Jacarepaguᔑ, publicada no O Globo do dia 16/06.

midiaO biólogo Mário Moscatelli teve um momento de leviandade em reportagem do jornal O GLOBO chamada ” Vândalos destroem vegetação em manguezal às margens da Lagoa de Jacarepaguá” desta terça-feira (16/06) ao se referir à destruição de parte da vegetação em manguezal da Lagoa de Jacarepaguá. O ambientalista, nas palavras do texto jornalístico, disse acreditar que o vandalismo foi praticado por famílias da Vila Autódromo. A reportagem do jornal utilizou aquela velha fórmula de dizer que, procurada, a Associação da Vila Autódromo não respondeu as acusações.

A reportagem foi feita dentro de um contexto editorial. Como se sabe, as Organizações Globo não só se posicionam a favor das remoções de comunidades pobres da cidade do Rio de Janeiro como as incentiva, à revelia dos Direitos Humanos, do Estatuto da Cidade e do Direito à Moradia. No caso da Vila Autódromo, a comunidade está ali legalmente – os moradores têm o documento da Concessão de Direito Real de Uso – e mesmo assim sofrem ataques constantes da Prefeitura para que deixe de existir. Mais: desde 2005, a Vila Autódromo é uma Área de Especial Interesse Social (AEIS) com fins para moradia popular.

O fato de a Câmara Municipal do Rio tê-la transformado em AEIS obriga a administração municipal a promover a reurbanização do lugar e a fornecer serviços básicos aos moradores. A prefeitura atual, contudo, não só não levou isso à frente, deixando de cumprir a legislação municipal, como também insiste na expulsão das famílias dali.

Portanto, as ilações de Moscatelli e a prepotência de O Globo publicá-la merecem repúdio. A Vila Autódromo, ao contrário do que quis passar a reportagem, tem imenso respeito pela natureza. Nela, há um projeto agroecológico coordenado pela Fundação Osvaldo Cruz, através do qual os moradores cultivam hortas em suas casas e vem implementando fossas verdes, como meio de suprir a ausência de saneamento básico, dever do governo estadual. Os moradores também fazem, através de mutirão, a limpeza do arroio da comunidade, que desemboca na lagoa, para que o fluxo de suas águas não seja interrompido, problema que vem sendo agravado com as demolições de casas promovidas pela Prefeitura. Há que se lembrar que, em 1993, o atual prefeito, então subprefeito da Barra da Tijuca, fez a primeira ameaça de remoção, sob pretexto de dano estético e ambiental. Essa ação judicial está em curso até hoje e não há determinação de remoção alguma através dela.

Tal alegação beira o ridículo quando, como o próprio Moscatelli deve saber, vários condomínios de luxo jogam seus esgotos diretamente nas lagoas da região. Quanto ao aludido dano estético, trata-se na verdade de uma visão da atual prefeitura de que aquela área deve ser utilizada pelo setor imobiliário. Não por acaso, a Carvalho Hosken, que vai construir condomínios no terreno vizinho à Vila Autódromo, é uma das principais doadoras de campanha política do atual prefeito.

Além disso, o Parque Olímpico, que está sendo construído na área ao lado da Vila Autódromo, foi licitado e concedido sem as devidas audiências públicas e sem o prévio estudo de impacto ambiental. Há ainda, alguns registros, que comprovam a retirada de árvores da comunidade pela Rio Mais (composta por Carvalho Hosken, Odebrecht e Andrade Gutierrez) e também aterro irregular da lagoa pela concessionária.

 

Por Mariana Medeiros, assessora parlamentar da liderança do PSOL (RJ), publicada anteriormente na página da Vila Autódromo