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Pela defesa da vida no Complexo do Alemão

Audiência Pública na comunidade traz à tona graves violações da polícia

complexo do alemaoA Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj fez uma audiência pública no Complexo do Alemão na última segunda-feira (04/05). E o lugar escolhido para ouvir os moradores sobre a violência e violações da polícia ali foi a Escola Estadual C.A.I.C Theóphilo de Souza Pinto, na comunidade de Nova Brasília. A opção não foi casual. A instituição de ensino foi literalmente abatida pela ação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Isso porque o comando da UPP do Alemão teve a infeliz e irresponsável ideia de instalar uma base da UPP no terreno da Theóphilo de Souza Pinto, em 2010. A consequência é que metade dos alunos abandonou a escola, diminuindo o número de estudantes de 1400 para menos de 700. Não há clima para se estudar ali. A fachada da instituição está crivada de buracos de bala de fuzil.

A Comissão decidiu então solicitar à Secretaria de Segurança Pública a retirada da base da UPP dali. “Esse contêiner precisa sair daqui em, no máximo, 30 dias”, disse o deputado Marcelo Freixo, presidente da Comissão, já estipulando um prazo. Hoje, dia 7, já foi publicado nos jornais a retirada da base da UPP da escola. Após a discussão da situação absurda da escola, os moradores passaram então a relatar um grande número de violações feitas pela polícia. “Aqui as crianças não correm atrás de pipa porque podem ser atingidas por uma bala”, disse Udson de Freitas, do Coletivo Ocupa Alemão, acrescentando que os “policiais xingam as mulheres, batem em carros com seus veículos blindados e até entram nas casas de família para assistir TV”.
Há que se ressaltar a violência maior: na audiência, mães que perderam seus filhos em confrontos, como foi o caso do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, atingido por um tiro após uma desastrada ação da polícia no mês passado. O deputado estadual Flavio Serafini disse, após os relatos, que a Ouvidoria da UPP está extremamente ineficiente. “É impressionante como casos como os narrados aqui não são investigados de forma satisfatória. Vamos cobrar uma escuta mais atenta a essas urgentes denúncias de violência policial”, disse Flavio.

Moradores do Alemão também lembraram o descaso do governo do Estado quanto a outros serviços fundamentais, como o saneamento básico. E exigiram mais celeridade da prefeitura em relação à instalação de uma universidade no Complexo do Alemão, já que os recursos para isso já estão garantidos pelo Instituto Federal do Estado do Rio (IFRJ), que condicionou o aporte da verba à cessão de um terreno por parte da prefeitura no Alemão para a instituição de ensino. O terreno que a prefeitura escolheu, contudo, é lugar de moradia de famílias do lugar. E os moradores não querem trocar o direito à educação pelo desrespeito ao direito à moradia.