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Papo Reto | Remoções

 

1) Qual é a realidade das remoções no Rio de Janeiro? O que ela significa?
O cenário atual é de que mais de 70 mil pessoas foram retiradas de suas casas no Rio de Janeiro desde 2009, somente na gestão do prefeito Eduardo Paes. A retirada das famílias significa uma grande pressão do setor mobiliário nas áreas já valorizadas ou que estão recebendo investimento público, como as que ficam no entorno dos grandes projetos desta gestão. Essas pessoas que estão sendo expulsas de suas casas estão sendo levadas para a periferia da periferia da cidade. No final das contas, a especulação ganha nas duas pontas: uma com a valorização das áreas antes ocupadas e com a expansão da malha urbana.
2) Qual é e como deveria ser o papel do poder público em relação às remoções?
As remoções sempre fizeram parte da história do Rio de Janeiro como estratégia principal para valorização da cidade. Assim foi na época de Pereira Passos, no período do Lacerda… Mas, em números absolutos, Eduardo Paes removeu mais do que esses dois juntos. Tem um dos argumentos que o poder público adora justificar as remoções, que são as situações de risco. Muitas das vezes, esses argumentos são questionados como o caso da Rocinha e do Morro da Providência, que foram apresentados contra-laudos. É claro que existem situações de risco, mas a solução não pode ser remoção. Para solucionar, é preciso que se façam obras de contenção, saneamento para a manutenção daquelas famílias, sem que desestruture a vida delas. A política de urbanização está capenga, embora passe a impressão que está andando.
3) Que relação que as remoções têm com os megaempreendimentos e megaeventos?
Isso é uma justificativa que acaba acelerando a forma com que as pessoas serão removidas, faz com que eles (os removidos) e até a população em geral tenha menos acesso às informações. A falta de informações é uma estratégia. Mas é importante ressaltar que as pessoas não estão saindo por conta do Parque Olímpico, mas por conta de um condomínio que será construído naquela área. Não tinha Olimpíada na época do Pereira Passos, do Lacerda.
4) Estamos acompanhando uma mobilização em relação à temática, a que isso se deve? É possível afirmar que passaremos mais uma vez por um doloroso processo de remoções?
Os jornais, principalmente, O Globo teve um papel muito importante desde 2009. Ele foi muito importante para legitimar essas ações da Prefeitura. O poder executivo do municipio do Rio tinha um discurso da desfavelização como meta e que agora está sendo recuperado pelas matérias, que legitima esse papel. Me parece muito encomendado. É uma porrada que o prefeito está gostando de tomar para que ele volte com esse processo. Ainda existem espaços que o Paes não conseguiu concluir o processo devido à resistência como a Vila União, a Vila Autódromo e a Mangueira. Nenhuma remoção é imprescindível para a realização das Olimpíadas, assim como não eram para a Copa do Mundo. Mas esses eventos têm um apelo na sociedade e, por isso, são usados como justificativa.

Por Lucas Faulhaber, assessor parlamentar do mandato Flavio Serafini e autor do livro SMH 2016: remoções no RJ Olímpico.