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Luta dos tutores da Cecierj na Alerj

Em audiência pública lotada, tutores relataram o descaso com que convivem em suas unidades de ensino

lutadostutoresdacecierjNo dia 20 de maio, tutores, deputados da Comissão de Educação da Alerj e o presidente da Fundação Cecierj, Carlos Eduardo Bielschowsky, discutiram as condições precárias em que se encontram os trabalhadores da educação e os alunos da Fundação, responsável pelo pré-vestibular social e graduações à distância, sob o modelo semi-presencial. O curso foi criado há 13 anos e atualmente conta com mais 3000 tutores.

Segundo os relatos apresentados pelos tutores tanto do PVS quanto dos cursos à distância, os problemas estão inviabilizando o andamento das aulas. Entre as principais demandas estão o pagamento de bolsas que estão atrasadas desde fevereiro, o reajuste das mesmas, o número de vagas, proteção trabalhista para casos de saúde – atualmente, os trabalhadores não têm direito à licença médica nem licença-maternidade. O fechamento de unidades, a segurança no trabalho e a falta de progressão na carreira também fizeram parte das demandas expostas.

A tutora e coordenadora da unidade de Nova Friburgo, Erika Guimarães, que foi aluna do Cederj, afirmou que além do atraso de bolsa ser grave, a falta de motivação devido a todo o contexto tem impactado diretamente o dia-a-dia dos professores e dos alunos: “Nosso polo era um dos mais cheios, e acabamos perdendo muitos estudantes nestes últimos meses. Eles devem estar pensando, estamos estudando tanto para ficar nestas condições depois? Será que é isso que eu quero para minha vida?”, relatou.

Raquel Leal, tutora de Duque de Caxias, denunciou ainda que uma colega de trabalho, para não perder a bolsa, teve de dividir suas turmas em um acordo informal com outros tutores enquanto estava grávida, por conta da falta do direito à licença-maternidade. “No segundo mês de vida da criança ela voltou a trabalhar porque estava com medo de não receber”, lembrou. Raquel informou ainda que a maior parte dos tutores de disciplinas que necessitam de equipamentos de proteção individual (EPI) trabalha sem segurança. “Eu já me queimei no laboratório porque estava trabalhando sem óculos de proteção”, denunciou.

O estudante do PVS de Pilares Marcio Martinelli, que já teve sua filha e sua companheira aprovada em universidades públicas, por conta das aulas do pré-vestibular, ressaltou a importância da valorização destes espaços. “Hoje eu pretendo fazer vestibular para uma universidade federal. Essa possibilidade não fazia parte nem dos meus sonhos quando eu era adolescente, devido a minha realidade”.

Eliomar Coelho, também do PSOL, leu uma carta entregue pelos tutores da Cederj com diversas demandas. “Temos a responsabilidade e o compromisso de lutar pelo reajuste na educação do Rio de Janeiro. Não vamos aceitar que não tem dinheiro para a educação, mas tem para obras suntuosas. O governador tem um pezão, mas também tem de ter um orelhão pra ouvir essas demandas”, afirmou.

Flavio Serafini afirmou que é preciso dar uma atenção especial aos pré-vestibulares, que tentam corrigir uma distorção histórica no acesso às universidades públicas devido ao vestibular e a falta de qualidade na educação pública. “É importante lembrar que atrás de um problema técnico tem uma decisão política. O trabalho destes tutores é fundamental para um Estado mais justo, mais digno, por isso deve ser mais que respeitado, deve ser valorizado”, refletiu Serafini.

Carlos Eduardo se comprometeu a regularizar as bolsas e a apresentar um calendário para pagamento com datas pré-estabelecidas, além de pensar uma forma de garantir a segurança no trabalho nos polos. A Comissão de Educação trabalhará em conjunto com a Secretaria de Fazenda para fiscalizar esta regularização e já deixou marcada uma próxima audiência sobre o tema para agosto.

Do lado de fora da Casa, diversos tutores protestavam por melhores condições de trabalho.