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Vila União ameaçada de remoção

IMG_7779 A Comunidade de Vila União, em Curicica, na Grande Jacarepaguá, vive dias de grande tensão. A prefeitura diz que parte dela terá de ser removida devido à TransOlímpica. Mas a prefeitura sequer informa o traçado da via, nega-se a detalhar o projeto e dá informações desencontradas quanto ao número de famílias a serem remanejadas. O deputado Flavio Serafini esteve na terça-feira (28) conversando com os moradores e ouviu relatos fortes de violações de direitos humanos cometidos pelo consórcio da obra e agentes do município. No encontro, esteve presente o defensor público João Helvécio e Jane Nascimento de Oliveira, líder comunitária da Vila Autódromo, também em Jacarepaguá, que vem sofrendo as mesmas violações de direito desde que o Rio de Janeiro foi escolhido pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar as Olimpíadas.

O que acontece na Vila União, contudo, não é um fato isolado. Mais de 67 mil pessoas já foram retiradas de suas casas em função dos megaeventos esportivos ou sob esse pretexto. Assim, as práticas de violações de direitos se espalham pelo Rio de Janeiro. A Vila União está consolidada desde 1982, quando os primeiros residentes chegaram e ali ficaram acampados. Levantaram suas casas no braço, no contexto do déficit habitacional nunca resolvido pelos governos. Em 2012, o programa Morar CariocIMG_7875a de reurbanização de favelas contemplou a Vila União. Meses depois, numa contradição que expõe falta de planejamento e falta de sensibilidade social, a prefeitura começou a anunciar que toda a comunidade seria removida. Inspirados pela resistência da Vila Autódromo, vizinha à Vila União, parte dos moradores resolveu resistir, apoiados pela Defensoria Pública e pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas. Uma das lideranças do lugar, Robson da Silva Soares, diz que serviços como água e luz pioraram desde que começaram as obras da TransOlímpica no entorno da comunidade. Casas são demolidas e as que ficam ao lado convivem com escombros deixados ali com o intuito de sugerir que novas casas serão destruídas, numa postura fascista do poder público.

A Vila União foi reconhecida como um local de moradias populares consolidado desde 1984, quando o programa “Pé no Chão” começou um cadastramento visando à regularização fundiária. Mas seus moradores querem também a reurbanização prometida pelo Morar Carioca. O descumprimento do que foi anunciado pelo Morar Carioca e a falta de transparência quanto ao traçado da TransOlímpica expõem uma vergonhosa falta de respeito vinda de um projeto de cidade que privilegia empreiteiras, a falta de diálogo e as violações de direitos humanos.

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