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Rompendo o silêncio

Versão impressa do Dossiê Abrasco sobre Agrotóxicos denuncia os impactos do uso na saúde e no meio ambiente

abrasco2A versão impressa do Dossiê Abrasco sobre Agrotóxicos foi lançada no dia 28 de abril, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Com mais de 600 páginas, a publicação reúne as três partes revisadas lançadas ao longo de 2012, além de uma quarta parte inédita intitulada “A crise do paradigma do agronegócio e as lutas pela agroecologia”. Durante a cerimônia de abertura uma máxima era presente em quase todas as intervenções: é preciso romper o silêncio.

Ainda inviabilizado pela mídia, o debate dos agrotóxicos e dos alimentos transgênicos pode ganhar outro patamar com a divulgação deste relatório que traz a questão da segurança alimentar, os impactos na saúde humana e meio ambiente, denúncias feitas por pessoas diretamente impactadas, a flexibilização da legislação articulada com o interesse do agronegócio e a única opção possível que vem a partir da agroecologia. O presidente da Abrasco, Luiz Facchinni, afirmou durante a cerimônia que a publicação eleva a consciência sanitária. “Ele será uma forma de pressão política. O modelo que temos hoje está insustentável”.

Nivia Regina, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, indicou ainda que o relatório ajuda a apontar que a ciência tem um lado, e que precisamos sempre estar atentos a que lado ela está seguindo. “A elaboração deste trabalho permitiu articular uma rede de pesquisadores compromissados com a pauta popular. Conseguimos uma aliança entre instituições de pesquisa como a Fiocruz, Abrasco e Inca, mas, também, de uma organização popular no campo e na cidade”, afirmou e completou: “O modelo do agronegócio é incompatível com uma vida saudável”.

A presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea) do Ministério da Saúde, Maria Emilia Pacheco, defendeu que é importante expor a questão da alimentação saudável, tão inviabilizada pela indústria alimentícias e seus interesses econômicos. “Essa definição clara é fundamental porque a partir dela podemos fortalecer a luta contra a monocultura. Não há alimentação saudável com veneno e com alimentos transgênicos”, refletiu.

Caso silenciado

O ponto que mais demonstrou a luta contra o silêncio foi quando o diretor da escola rural do assentamento Pontal dos Buritis, localizado na cidade de Rio Verde, em Goiás, Hugo Alves dos Santos que contou o caso que aconteceu em 2012, quando a escola em que trabalhava foi alvo seguidas vezes da pulverização aérea de agrotóxicos, ação que é proibida no país.  Os alunos, professores e diretores ficaram intoxicados com sequelas que até hoje prejudicam que suas vidas voltem ao normal. De lá para cá, o diretor tenta denunciar o caso em diversos meios e já foi ameaçado de morte. Além disso, foi coagido pela secretaria de educação do município para que não falasse com a imprensa. Hoje, o professor que já teve de se mudar oito vezes, anda com segurança. “A maior dor que sinto é o esquecimento das minhas crianças. Atualmente a secretaria de saúde não me atende mais, e meus alunos ficam com medo de morrer. Constantemente eles estão com olhos e pele com coceira, acordam com olhos colados. Todo dia, toda hora as pessoas estão sendo envenenadas, e os profissionais da saúde diagnosticam como virose”, lamentou.

Confira o dossiê completo aqui.