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Descompasso da educação

Audiência pública sobre a Faetec expõe problemas da rede e o descolamento do projeto proposto pela nova gestão

Ao apresentar nesta quarta-feira (15/04), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o plano de trabalho da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) para 2015, o presidente da instituição, Wagner Victer, fez promessas para o futuro, sem dar uma solução para os graves problemas do presente relacionados ao próprio funcionamento da rede. Assim, a audiência pública, realizada pela Comissão de Educação da Alerj, expôs a dicotomia entre o projeto da nova gestão e a realidade dos professores, pais e estudantes que participaram da reunião. Se, de um lado, o plano era de expansão e de investimento na área da educação profissional, dos outros, foram apresentadas as dificuldades enfrentadas nas unidades já existentes e no cotidiano dos projetos já implementados.

Wagner Victer deixou clara a posição da gestão da Faetec que, ligada à Ciência e Tecnologia, terá mais fortalecimento do projeto Dupla Escola, – que oferece formação técnica, cursos de extensão e de educação continuada -; e mudança no processo seletivo priorizando o caráter classificatório. Além disso, o presidente da Faetec lembrou que, em parceria com o projeto do Governo Federal, 90 mil vagas serão ofertadas, e que 12 mil estão já em curso próximas às Unidades da Polícia Pacificadora (UPP). “Não queremos apenas ofertar, mas pensar nas áreas sensíveis. Os cursos muitas vezes são montados, mas não são levadas em consideração a demanda do local. Apesar dos cortes, o governador tem dado atenção à educação”, disse. Mas a diretora do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), Sandra Santos, afirmou que não há como combater a violência sem incluir a educação na pauta. “O professor é o maior agente de segurança do Rio de Janeiro. Não adianta discutir UPP sem discutir educação”, refletiu e denunciou: “Estamos com computador e aparelhos de ar-condicionado alugados, professores contratados e trabalhadores da limpeza terceirizados. Quando temos problemas com pagamento, como está acontecendo agora, ficamos sem todo esse conjunto. Temos que encarar a educação como uma pauta central. Queremos educação pública e profissional de qualidade”.

Representante do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação da Faetec, Luiz Eduardo relatou os problemas de infraestrutura, manutenção e expansão da rede, além do descongelamento do nosso Plano de Cargos e salários, uma bandeira muito forte do ano passado. O grupo ressaltou ainda os cerca de 300 manifestantes que ficaram nas escadarias da Alerj, porque foram impedidos de entrar. “Do lado de fora que está o termômetro dessa audiência. Temos diversas demandas que são muito diferentes do que o presidente apresenta aqui. Já temos perdas salariais que estão em 22%. Além disso, defendemos que nenhuma modalidade seja privilegiada em detrimento de outras”, explicou Luiz, falando sobre o plano de expansão da modalidade profissional.

Carlos Augusto, da Associação de Pais do Iserj, também denunciou a falta de inspetores na escola. “O que temos de informação é que não há previsão de contrato. Todos os dias os pais do 6º ano se revezam pra ficar na escola de plantão”, salientou. A partir daí, as denúncias se somaram: Debora Campos, do Instituto Superior de Educação Professor Aldo Muylaert (Isepam), informou sobre o alto número de alunos nas turmas e a falta de professores. O professor Willian, do Fórum de Diretores e Professores do Faetec, afirmou que as unidades escolares estão sem internet e telefone e falta material de trabalho, como, por exemplo, artigos esportivos para as aulas de educação física. A pauta da Educação no Campo também foi lembrada por estudantes que tiveram suas bolsas cortadas de R$ 360 para R$100, além do corte na alimentação, transporte e alojamento. “Não há voz para o campo. Temos somente três professores para o curso e corremos o risco de que a partir do mês que vem estejamos sem aulas”.

Toda a bancada do PSOL da Alerj estava na audiência. O deputado estadual Flavio Serafini, professor licenciado da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/FIOCRUZ), indagou o presidente com questões cruciais para o funcionamento da instituição como, por exemplo, de que forma será acertado o calendário do ano letivo; qual será a solução para a grade curricular desfalcada com a falta de professores e de trabalhadores extraclasse, com indicativo para concursos público; como ficará a questão dos bolsistas que tiveram um corte de mais do que a metade e esclarecimentos em relação à educação no campo. Flavio lembrou também, como demanda do Circuito de Lutas em Amparo, em Nova Friburgo, da implantação de uma escola focada na educação no campo. “Manter a expansão acelerada em detrimento do funcionamento regular da rede é lamentável”, apontou o deputado em resposta aos planos apontados pelo presidente do Faetec.