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Na mídia

Assessor parlamentar Francisco Rebel analisa a matéria ‘Reformuladas, UPPs acompanharão frequência escolar de jovens e oferecerão atividades‘,  publicada pelo jornal O Globo, no dia 10/03.

 

Confira a análise:

É estarrecedora a notícia de que policiais militares controlarão as atividades escolares de jovens moradores de 38 comunidades do Rio de Janeiro. A notícia já seria absurda em si, mas ganha agravantes de dramaticidade por se dar no mesmo momento em que o governo do estado promove cortes orçamentários em diversas áreas sociais, principalmente na educação (na saúde foram cortados 403 milhões de reais e apenas no já combalido orçamento da educação foram cortados 547 milhões enquanto a Rede Estadual está sem receber seus repasses desde outubro de 2014 e já se propõe diminuir as aulas para 40 minutos e dispensar estudantes por falta de merenda).

Ironicamente esta decisão só intensifica o processo que, de acordo com a própria matéria, é responsável pelo fracasso das UPPs: a “solidão” da polícia nas comunidades de baixa renda ou, nas palavras do próprio secretário José Mariano Beltrame, “a polícia é o único ente do poder público dentro de uma área conflagrada”. Ora, se é a falta de intervenção pública para garantir educação, saúde e programas sociais de qualidade que prejudica a administração das taxas de criminalidade violenta, intensificar o controle militar sobre a educação na mesma medida em que cortam-se investimentos parece ser a receita perfeita para agravar o problema enfrentado no Rio de Janeiro.

Nossas escolas precisam ser levadas a sério e devem ter autonomia pedagógica aliada a investimentos substantivos. Substituir essas medidas por aumento de controle policial é uma escolha perversa do governo do Estado e a intensificação desse processo, que temos observado nos últimos anos, de troca de assistência social por repressão Estatal só pode ter como resultado a agudização da crise de segurança pública que temos vivido no Rio de Janeiro.