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Papo Reto – Segurança Pública

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Tivemos recentemente casos emblemáticos de violência que refletem um modelo de segurança pública falido. Policiais e moradores de favela, em geral, jovens são mortos diariamente. Como você avalia esse projeto de Pacificação?

O projeto de Pacificação não pode ser bem avaliado na situação em que se encontra atualmente. A militarização da vida cotidiana das comunidades pacificadas retira dos seus moradores direitos fundamentais básicos (como a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão e de opinião). Não obstante, a Pacificação contraditoriamente baseia-se numa lógica de enfrentamento para aplacar eventuais “resistências” ao seu avanço, o que põe em risco a vida tanto de moradores quanto de policiais que estão engajados nesse processo.

A UPP tinha um modelo que contemplava uma entrada de outros braços do Estado como saúde, educação e cultura nos lugares ditos pacificados. Qual seria o modelo mais adequado de segurança pública para o Rio de Janeiro?

O modelo mais adequado de segurança pública para o Rio de Janeiro e para qualquer cidade que pense em qualidade de vida para os seus cidadãos deve ser aquele que se conjuga com uma lógica de direitos humanos. Deve-se pensar em segurança pública com a garantia de direitos fundamentais e sociais a todos cidadãos que moram em uma cidade. Além disso, deve-se privilegiar ações de inteligência no combate ao crime do que o enfrentamento bélico, o qual, frequentemente, ceifa a vida de diversos cidadãos e policiais.

A desmilitarização da polícia é sempre apontada como um caminho. Você concorda e quais são os outros?

A desmilitarização sempre será uma opção para suprimir uma polícia que seja voltada para uma lógica de guerra, a exemplo de nossa Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Os outros caminhos para uma segurança pública realmente eficiente convergem para o fomento de maiores instâncias de deliberação e de participação dos cidadãos nas políticas públicas que envolvem o tema em questão.