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Papo Reto – com Flavio Serafini


1) Em caso de crise hídrica, quem deve ser priorizado?

É a lei quem diz: o consumo humano tem prioridade sobre todos os outros. Racionar água do consumo humano, diminuir a pressão das redes de abastecimento e fazer faltar água na casa das pessoas antes de racionar o consumo dos outros setores, em especial, os que mais gastam água, é ilegal. Além disso, as indústrias e a mineração recebem a água por um valor muito baixo e fazem pouco reuso, o que é um evidente desperdício. Ao mesmo tempo, deve-se iniciar um processo urgente de recuperação do ciclo hidrológico, recuperando nascentes e rios, reflorestando suas margens e ampliando o reuso da água.

 

2) Quem é o verdadeiro consumidor da água?

Os maiores consumidores de água no Brasil e no estado do Rio de Janeiro são as grandes empresas e os mega-empreendimentos. As 16.700 indústrias existentes em nosso estado consomem três vezes mais água do que os 16.500.000 habitantes do estado. Há ainda as termelétricas que consomem imensas quantidades de água e ao mesmo tempo emitem enormes quantidades de dióxido de carbono, contribuindo para as mudanças climáticas, uma das causadoras da seca.

 

 

3) É justo o preço que pagamos por ela?

A água é um bem comum. A privatização da água no Brasil é um absurdo. O preço cobrado às empresas que exploram as águas é muitíssimo inferior ao que é cobrado para o consumo humano. Para exemplificar, hoje o preço público unitário pago pelas empresas por 1000 litros é de R$ 0,0005. O PSOL defende a estatização completa do sistema de abastecimento de água e energia elétrica, priorizando o abastecimento para consumo humano, com revogação do aumento dos preços da água. Água não é mercadoria!

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