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O Caio Martins não pode parar!

Alunos protestam no Complexo Esportivo Caio Martins por retorno das aulas. Mandato Flavio Serafini se coloca a disposição nesta luta

Ato caio Martins

Alunos fazem ato no Complexo Caio Martins pedindo volta às aulas

Nesta última terça, dia 3 de fevereiro, diversos alunos, entre eles muitos idosos, fizeram um ato em frente ao Complexo Esportivo Caio Martins, em Niterói, para cobrar o retorno das atividades do espaço. As aulas de hidroginástica e natação haviam sido encerradas para o recesso de fim de ano, mas não tiveram retorno no início deste ano, como de costume. As atividades eram geridas pelo projeto Zico 10, por meio do projeto Esporte RJ, iniciativa da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude (SEEJE), em parceria com organizações sociais (OSs). O vereador de Niterói Henrique Vieira (PSOL/RJ) e o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ) estiveram no local para ouvir os manifestantes.  Como a gestão do complexo é estadual, o mandato Flavio Serafini  se comprometeu em cobrar explicações pelo ocorrido.

 

“Este espaço é de extrema importância para a população de Niterói, e faz parte da história da cidade. Além do estímulo da prática esportiva, da sociabilização e do lazer, esse serviço suspenso afeta o tratamento de saúde de idosos, crianças e pessoas com deficiência, principalmente. Com isso, não podemos perder tempo. Precisamos buscar formas de retomar as atividades imediatamente e construir um processo que fuja da precarização e da privatização dos serviços públicos, através das terceirizações promovidas pelas OS’s. A população não pode continuar refém dos interesses eleitorais dos políticos de plantão. Precisamos construir uma política pública perene a partir da contratação de profissionais por concurso público. A dita cidade olímpica não pode servir apenas para os atletas de alto rendimento. Vamos utilizar todos os meios legais que dispomos na Alerj para cobrar da Secretaria de Esporte para que se abra um diálogo e que atenda às demandas da população”, enfatizou Serafini.

 

Um dos representantes do movimento no Complexo, Caio Henrique (64 anos), informou que antes do encerramento do ano, as atividades já não estavam sendo realizadas de maneira constante. “Os professores ficavam sem salário, alguns não tinham vínculo empregatício, além de muitas vezes ficarmos sem aula por falta de professor, que não aguentavam essa situação”, protestou Caio, que é frequentador há 12 anos do Complexo. A aluna Olivia Medeiros, (56 anos), lamentou o ocorrido: “Frequento o Caio Martins há mais de 30 anos. Meus filhos faziam aula de natação e ganharam até medalhas em disputas. Há oito anos sou eu quem frequento, e eles vinham aqui me ver. O encerramento destas atividades não é só uma perda para a nossa saúde, mas, também para a nossa vida social”, disse. O caso da aluna Cremilda Nunes, (77 anos),  ainda é mais sério. “Fui indicada para fazer hidroginástica como parte do meu tratamento para artrose. Não tenho condições para pagar outro local. Só com o tempo sem essas atividades já não estou conseguindo andar direito”, lamentou.

 

Esta iniciativa faz parte da política de corte dos gastos do governo do Rio de Janeiro. O projeto Esporte RJ, lançado em 2013, era considerado o maior projeto de esportes da América Latina, e reconhecido pelo governo estadual como o legado olímpico de 2016. No total, eram 898 núcleos esportivos e de lazer em todo o estado do Rio, abrangendo 92 municípios. Todo o projeto era em forma de parceria público-privada, com duas organizações sociais, a Ascagel e a Zico 10. Ambas publicaram nota oficial no mês de janeiro noticiando sobre o encerramento de todas as atividades.

 

Procurado pela assessoria do mandato, a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude afirmou que o repasse para a Zico 10 foi feito integralmente, segundo o contrato estabelecido. Pedro Miranda, da equipe técnica da subsecretaria de Programas Sócio-esportivos, confirmou que, com a posse da nova gestão da pasta, houve o cancelamento dos contratos com as empresas. Segundo Miranda, o governo estadual está preparando os termos de referência para retornar as atividades: “pretendemos restabelecer os projetos que forem avaliados como bem-sucedidos”. O diretor executivo da Associação Zico Fazendo a Diferença, Zico 10, Fábio Sodré,  informou ao mandato que os contratos foram cancelados desde novembro, fazendo com que os salários de dezembro, janeiro e 13º salário estejam atrasados.